segunda-feira, 24 de maio de 2010

11ª Jornada Interdisciplinar foi um sucesso


A 11ª Jornada Interdisciplinar foi um sucesso de público. O evento, realizado no dia 19, contou com a participação de cerca de mil estudantes e professores, além de convidados de outras instituições de ensino.
A novidade desta edição foi a realização de quatro grandes palestras, concomitante às 18 oficinas de temas diversificados. Para a professora Tecla Mello, coordenadora pedagógica da Faculdade 2 de Julho, “a oportunidade de integração com outras áreas do conhecimento reforça a composição da Jornada como algo significativo para o crescimento acadêmico dos estudantes”.

O crescimento da violência após o crescimento do uso do crack

A palestra O crescimento da violência após o crescimento do uso do crack, tema de relevância social expressiva, trouxe à instituição Dr. Deraldo Jesus Damasceno, delegado titular da 5ª delegacia de Peri Peri; Dr. Vilson Bueno, diretor adjunto do presídio de Lauro de Freitas; Dr. Ussiel Dantas Xavier Filho, Defensor Público e militante na Vara de tóxicos; Dr. José Brandão, juiz da comarca de Santo Estevão; a perita criminalista, Josenira Matos de Andrade e a Dra. Marlene Brito, psicóloga clínica. A coordenadora do curso de Direito, professora doutora Cássia Carneiro, coordenou a mesa.

O delegado Deraldo Damasceno expôs a atual situação do uso de drogas entre adolescentes e as conseqüências desencadeadas desse triste fato, como o aumento da criminalidade e da violência, culminando nos homicídios. Para o delegado, a falta de estrutura familiar, de religiosidade, o desemprego, o tráfico e a falta de afeto entre as pessoas, são alguns dos motivos que levam o jovem a procurar as drogas.

Para o delegado, que já atua na polícia há 34 anos, o crescimento da população e da violência, em geral, não foi acompanhado pelo aumento do contingente policial e isso impossibilita que se faça um trabalho efetivo para a sociedade. E citou a triste realidade de Periperi, bairro onde trabalha e onde o nível de pobreza e desemprego é alto. “Nos barracos falta tudo, inclusive dignidade. Adolescentes de 14 anos já têm consciência de que podem não viver até os 18. E a expectativa de vida, realmente é de 24 anos. Muitos entram no crime pela falta de oportunidades”, lamenta.

Para Dr. Ussiel Dantas Xavier Filho, o crack sozinho não é o vilão da violência. O defensor público também citou a falta de centros de tratamento para usuários que querem se livrar das drogas. “Não temos para onde encaminhar os usuários que desejam parar, o que temos como opção é insuficiente”, afirma. O defensor público esclarece que a lei é falha no sentido de não traçar parâmetros claros para definir usuários e traficantes, assim como pequenos traficantes (aviãozinho) e grandes traficantes. Ele acredita que essa diferenciação é necessária para que se ajuste a pena ao crime em questão. E por isso, Ussiel Filho garante que a nova lei dará tratamento diferenciado aos dessemelhantes delitos.

O juiz da comarca de Santo Estevão, Dr. José Brandão, responsável pelo “Toque de Acolher”, portaria que determinou horários limites para a permanência de crianças e adolescentes na rua, no município de Santo Estevão, afirma que obteve sucesso com a medida: a violência foi reduzida em 71% na cidade. Ele afirma que não está cerceando o direito de ir e vir do cidadão por motivo fútil e sim, pelo bem estar da sociedade e, consequentemente, do próprio indivíduo. “Os direitos e garantias individuais não são absolutos e podem ser limitados por outros direitos”, justifica o juiz que acredita ser o “Toque de acolher” um nocaute no tráfico. Porém, esclarece que a lei não é assim tão inflexível. Em épocas festivas a medida, que tem 90% de aprovação em qualquer enquete, é devidamente suspensa.

A psicóloga clínica Marlene Brito defende a participação da família na desconstrução do ciclo-vicioso que se forma em torno das drogas. “A droga está associada a mecanismos que afetam dispositivos emocionais que dão prazer estabelecendo um ciclo-vicioso. A família é fundamental para a desconstrução desse vício”, explica. Marlene Brito também expõe vários outros fatores relevantes que levam o adolescente a procurar as drogas, como a busca por uma identidade e o questionamento de valores colocados pela sociedade, próprios desta fase, geralmente confusa, na vida de uma pessoa.

O diretor do presídio de Lauro de Freitas, Vilson Bueno, expôs com detalhes a convivência dos internos e assinalou o peso que as drogas têm na formação de marginais. Além dos truques utilizados para introduzir os tóxicos no interior das penitenciárias e o efeito da abstinência entre os presos, ele demonstrou também os projetos desenvolvidos para devolver a dignidade e a cidadania aos internos como o uso de terapia no combate as drogas.

Oficinas

Os mais variados temas, nas áreas de Administração, Comunicação Social, Direito e Engenharia, foram tratados durante a realização da 11ª Jornada Interdisciplinar.

A professora Priscylla Lins, uma das palestrantes convidadas, ministrou a oficina Balanço Social: uma ferramenta de transparência organizacional. Para ela, o tema traz os conceitos de sustentabilidade e responsabilidade social, e a forma como este fenômeno multidimensional deve envolver toda a gestão empresarial das organizações. “Daí a importância do balanço social, um instrumento de credibilidade e transparência no qual as instituições demonstram suas ações, projetos e programas sociais. Além de tornar pública a sua marca, a empresa estreita os laços de comunicação com a comunidade, multiplica o exercício da responsabilidade corporativa, avalia os resultados e propõe metas futuras”.

O estudante João Aguiar Neto, do 3º semestre do curso de Jornalismo, participou da Oficina Coaching e Inteligência Emocional no desenvolvimento pessoal,ministrada pela professora convidada, Eliane Quadros de Castro. O estudante surpreendeu-se com todo o conteúdo abordado na oficina e afirmou que “momentos como esse são bons para os estudantes amplificarem os conhecimentos, não ficarem apenas restritos às disciplinas do semestre. E agregar esses novos conhecimentos aos outrso que já possui, aplicando-os em oportunidades posteriores no mercado detrabalho”, afirmou.

Para abrilhantar ainda mais o evento, uma apresentação do projeto Em Cantos , com os estudantes do curso de Jornalismo, Carmem Rosa, Adriele Alexandrino e Barná Cardoso, levou a poesia de Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e a música de Gonzaguinha, a todos que participaram da 11ª Jornada Interdisciplinar.
Confira fotos do evento na nossa página no Orkut.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Claudio Cardoso ministra aula inicial de cursos de Pós



A Faculdade 2 de Julho inicia, dia 8 de maio, as aulas de dois cursos de pós-graduação - Comunicação Organizacional e Marketing & Publicidade Digital. A palestra de abertura “Novos Desafios da Comunicação com os meios digitais", será proferida por Claudio Cardoso, doutor em Tecnologia de Comunicação pela Universidade Federal da Bahia, pós-doutor em Comunicação Organizacional pela George Washington University e atual diretor da ABERJE - Bahia. A palestra acontece na Capela da Faculdade 2 de Julho, às 09 horas.
O Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Comunicação Organizacional ofertado pelo colegiado de Comunicação Social da Faculdade 2 de Julho tem como objetivo contribuir para a formação do profissional que atua ou vai atuar em assessorias de comunicação ou de imprensa de organizações governamentais, empresariais ou do terceiro setor. Os estudos propostos na matriz curricular do curso intencionam fomentar o conhecimento teórico-prático nesta área e facilitar a utilização deste conteúdo pelo profissional no processo de identificação, análise, produção e divulgação das informações de acordo com a ética que deve reger a comunicação, com a apresentação de teores de interesse público e que responda aos anseios das comunidades na constituição de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Já o curso Lato Sensu em Marketing e Publicidade Digital, objetiva contribuir para o aperfeiçoamento de um profissional que deverá estar apto a atuar no segmento que mais se desenvolve e cresce atualmente, dominando técnicas e conhecimento sobre comunicação móvel, texto e hipertexto, entre outras tecnologias, como fontes e como meios de promoção de serviços e produtos. O curso pretende qualificar profissionais para identificar qual a mídia e quais recursos devem ser usados, ou que tipo de convergência pode ser explorada, em cada situação, analisar, desenvolver pensamento crítico, decodificar e disseminar as informações através do gerenciamento das novas tecnologias.

CLÁUDIO CARDOSO

Pós-doutor em Comunicação Organizacional pela George Washington University; Doutor em Tecnologia de Comunicação pela Universidade Federal da Bahia; Professor adjunto na Faculdade de Comunicação e no Núcleo de Pós-Graduação da Escola de Administração da UFBA; coordena o Fórum de Inovação da Bahia (FGV EAESP UFBA); diretor do Capítulo Bahia da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial - ABERJE; ex-diretor executivo da Amcham - Salvador; integrante de vários comitês editoriais de revistas científicas; vencedor do prêmio Bahia Inovação em 2004; Personalidade do Ano em Comunicação Organizacional pela ABERJE; condecorado como “Bridge Builder” pelo Departamento de Estado dos EUA; possui significativa experiência na área de Tecnologia de Informação e Comunicação, com ênfase em Comunicação Organizacional, atuando principalmente nos seguintes temas: Comunicação organizacional, Gestão da Informação, Tecnologias de Informação e Comunicação e Gestão de Negócios. Previamente à sua carreira acadêmica, ocupou durante quase 20 anos cargos de direção na área de tecnologia de informação.

Conheça mais os cursos de pós-graduação da Faculdade 2 de Julho, as matrículas estão abertas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Faculdade disponibiliza estacionamentos para estudantes

Um dos grandes problemas nas ruas da capital baiana e que é vivenciado pela comunidade no entorno das instituições de ensino superior, é a oferta de estacionamento para veículos. Recentemente o bairro do Garcia foi alvo de operações de agentes de trânsito da TRANSALVADOR, que para diminuir os congestionamentos no local, desenvolveram ações de desobstrução das vias e de reboque de veículos parados em local indevido.
A Faculdade 2 de Julho, ciente dessa situação e visando oferecer segurança para seus estudantes e colaboradores, atualmente disponibiliza mais de 400 vagas para o estacionamento de veículos, gratuitamente, dentro e fora de suas dependências. Internamente há estacionamento próximo à piscina, próximo ao campo de futebol, na Praça Conde dos Arcos e um próximo ao Núcleo de Práticas em Comunicação, coberto. Na área externa, a faculdade disponibiliza ainda o estacionamento Sol Park, perto da Rádio Excelsior, no Garcia. Neste último, o estudante estaciona o veículo, pega o tickt e carimba na faculdade para ter a gratuidade, fruto de um convênio entre as duas instituições.
Alfredo Filho, chefe de serviços gerais da Faculdade 2 de Julho, acrescenta que nos estacionamentos internos são disponibilizadas 340 vagas para veículos de pequeno porte e outras 80 para os estudantes que deixam as chaves sob os cuidados dos manobristas. O período mais crítico é entre 18h e 20h30, pois é neste horário que os alunos chegam para assistir aula, “mas conseguimos contornar a situação”, acrescenta.
Veja matéria completa em : http://jornalismodigital.f2j.edu.br/2010/04/06/faculdade-disponibiliza-estacionamento-para-estudantes/

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Instituto Irmã Dulce abre as portas para estudantes

O Memorial Irmã Dulce oferece seus serviços educativos a grupos de estudantes da rede de ensino de Salvador e região metropolitana.

Logo na chegada os estudantes são conduzidos a uma sala de vídeo onde assistem a um filme sobre Irmã Dulce. Em seguida, são encaminhados a uma visita às dependências do Memorial com acompanhamento de guias treinados para prestar informações e esclarecer possíveis dúvidas.
Se tiverem interesse, é permitido conhecer um dos núcleos das Obras Sociais Irmã Dulce, que pode ser o Centro Geriátrico ou o Centro de Portadores de Deficiências. Mas, é preciso expressar o interesse no ato do agendamento da visita.
As visitas devem ser marcadas pelos telefones: 33101115 / 33101261 e a entrada é franca. Falar com Carla ou George, das 9h às 17h, para informações complementares.

O objetivo deste trabalho é promover um momento de reflexão e discussão sobre ações práticas e concretas de cidadania e solidariedade na sociedade, tendo como referência a história de luta dessa religiosa por uma sociedade mais justa e igualitária.
O núcleo Cultural Irmã Dulce há 17 anos tem a função de difundir e preservar a biografia dessa proeminente personalidade baiana do século XX que, através de obras sociais voltadas a população carente de Salvador, lutou por uma sociedade mais equitativa .

segunda-feira, 15 de março de 2010

Equipe da Faculdade 2 de Julho participa do projeto radionovela

Estreou na segunda-feira, 8 de março, na Educadora FM, a radionovela "Maria Felipa: A Heroína Esquecida do 2 de Julho". O programa é transmitido às 8h30 e às 17h30, de segunda a sexta-feira. Um resumo dos capítulos da semana é exibido aos sábados, às 8h30.


A produção conta com importante participação da Faculdade 2 de Julho. O jornalista Eduardo Scaldaferri, graduado na instituição, é um dos que assinam o roteiro e a revisão dos textos e Daniela Souza, professora de radiojornalismo da Faculdade 2 de Julho, faz a edição.


"Maria Felipa" conta com a colaboração de Celso Júnior na direção artística, Luciano Bahia na direção musical e trabalhos técnicos, Fernanda Paquelet no roteiro e a revisão dos textos e a atriz Marília Castro, propositora do projeto.


O folhetim, que conta a história da mulher que organizou a resistência aos portugueses na Ilha de Itaparica, é parte do projeto Radionovela, que pretende mostrar outras três histórias de personalidades históricas em programas inéditos de dez capítulos.


Na sequência de "Maria Felipa: A Heroína Esquecida do 2 de Julho" serão apresentados: "Bimba e Pastinha – Histórias Pitorescas da Capoeira"; "Cosme de Farias e sua participação na vida social e política de Salvador"; "A Música e o Cordel do Recôncavo Baiano no Início do Século – Assis Valente e Cuíca de Santo Amaro".



O projeto venceu o Edital de Apoio à Produção de Programa Radiofônico de Radionovela, do Fundo de Cultura lançado no final de 2008. "O formato de radionovela é algo extremamente novo para os dias atuais. Hoje, as pessoas estão acostumadas a acompanhar telenovela, com imagem...”, argumenta Marília Castro.


A atriz fala que para o ator, interpretar somente voz, sem contar com nenhum suporte gestual, é um enorme desafio. Porém ressalta que a maior dificuldade é na edição de texto e de áudio. “Precisei voltar várias vezes e cortar alguma coisa, por conta do tempo do programa. Isso tudo sem deixar ele perder o sentido”, comenta.


Fonte: A Tarde

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ilmah Segundo e Kiko Brandão abrem Projeto "Em Cantos" de 2010

Muitos estudantes da Faculdade 2 de Julho compareceram à primeira apresentação de 2010 do projeto "Em Cantos", que aconteceu na Praça das Amendoeiras nessa quinta-feira, 4 de março, no horário de intervalo noturno, tendo como atração Ilmah Segundo e Kiko Brandão.

O público foi surpreendido pelo excelente repertório musical dos estudantes Ilmah M. Peleteiro Segundo e José Nery Brandão (Kiko), do curso de Direito, que brindaram os colegas com músicas de Raul Seixas, Cazuza, Beatles e Leoni, entre outros. O show agradou em cheio o púbico que aplaudiu muito e pediu bis.

Os artistas tiveram contato com a música desde criança - Ilmah aos 11 e Kiko com apenas sete anos. “Comecei a catar as fitas que meu pai deixava espalhadas no banco traseiro do carro para tocar no meu primeiro sonzinho. Foi assim que descobri Led Zeppelin, Pink Floyd, Janis Joplin, Queen e Beatles – esses embalaram os acontecimentos mais marcantes da minha vida”, conta Kiko.
Ilmah queria mesmo era tocar bateria, porém, acomodar um instrumento tão grande e barulhento em apartamento não seria nada fácil e, por isso, decidiu aprender violão, o instrumento predileto do pai. “Apesar dele sempre me incentivar a tocar este instrumento, até certa idade, eu ainda não havia criado interesse suficiente. Toda vez que colava meus dedos nas casas do violão e não conseguia tirar som nenhum, dizia a meu pai que, com certeza, isso não era pra mim”, diz Ilmah.

O resultado foi que, tocando muito mal com uns amigos, no início do aprendizado, como ele mesmo diz, em dois meses, ele já conseguiu tocar a primeira música com os acordes certos. "Hoje, quando me perguntam se tocar violão é difícil, eu respondo que é muito fácil, bastando duas horas por dia para treinar. O segredo de tudo é a motivação", explica.

Mas, quem não pode comparecer não precisa ficar triste pois terá uma nova oportunidade de se deleitar com os artistas da Faculdade 2 de Julho já no dia 11 de março, próxima quinta-feira, das 20h às 20h20. Um dos objetivos do projeto “Em Cantos” é descobrir e revelar talentos no campo das artes, música, teatro, poesia e outros, entre os estudantes, possibilitando momentos prazerosos para todos

quarta-feira, 3 de março de 2010

Exclusão Social e discriminação dominam o debate no "Olhares Sobre o Carnaval"



Estudantes de Administração, Direito, Engenharia Elétrica, Jornalismo e Propaganda & Marketing, além de professores e visitantes, lotaram a Capela da Faculdade 2 de Julho nesta segunda-feira, 1º de março, prestigiando a quarta edição do Seminário “Olhares sobre o Carnaval”, que teve como tema “O consumo e o desrespeito aos direitos humanos”.
O diretor geral da Faculdade 2 de Julho, professor Josué Mello, fez a apresentação do Seminário abordando “Direitos Humanos”. Ele lembrou que este é o grande tema da Instituição 2 de Julho em 2010, ano em que a Faculdade comemora uma década de existência.

Como tem acontecido nas edições anteriores, a polêmica e a provocação mais uma vez esteve presente na mensagem dos convidados. “Nos últimos 10 anos cresce a sensação de que o baiano abre mão da sua condição de cidadão em prol do turismo. E, principalmente, no Carnaval, torna-se cada vez mais comum o soteropolitano ceder seu espaço para os turistas”, afirmou a advogada Cristiana Santos, superintendente do PROCON-BA.

De acordo com ela, o Carnaval transformou-se numa indústria privada e, neste contexto, os espaços públicos também foram “privatizados” - quem não tem condições financeiras é sumariamente excluído. “O poder do consumo avançou sobre os direitos sociais numa inversão de valores incontrolável. Temos o direito de sermos respeitados pela nossa cidadania e transitarmos pela nossa cidade o ano inteiro”, defendeu Cristiana.

A advogada questionou o alto investimento público com obras que visam somente o conforto do turista que, cada vez mais, se sente no direito de até mesmo selecionar quem poderá frequentar o ambiente pelo qual ele pagou. “Lembro-me de uma queixa no PROCON de foliões que queriam denunciar um bloco porque tiveram que dividir o mesmo espaço com um casal de homossexuais. Eles alegaram constrangimento”, comentou.

Em sua apresentação, Cristiana Santos relembrou a trajetória do capitalismo e afirmou que a produção e a publicidade em massa levaram também ao dano em larga escala. A palestrante levantou uma questão preocupante sobre os cordeiros e o absurdo de ter que se assegurarem, através da criação de um Estatuto, os direitos deste trabalhador a receber, além de R$ 27 pelo trabalho, água, luvas, tampão de ouvido e sapatos. “É uma semiescravidão”, pontuou.

“Este fato é do conhecimento de todos, mas as pessoas não dão importância porque, no inconsciente coletivo, acredita-se que o cordeiro também brinca Carnaval, apesar de estar na linha de frente e impedindo, à custa de muita força, o seu povo de adentrar o local reservado aos pagantes”, disse. Para ela, apesar de todo o esforço físico dos cordeiros para manter certa ordem, nos enfrentamentos entre pipoca e polícia, quase sempre acaba sobrando o pior para eles.

Sobre esse assunto, o professor Ailton Ferreira, titular da Secretaria Municipal da Reparação de Salvador (SEMUR), manifestou-se com os dados do Observatório da Discriminação Racial, Violência contra a Mulher e Homofobia, coordenado pela SEMUR, e afirmou que neste Carnaval foram registrados 200 casos de cordeiros sem luvas, água etc., entre eles algumas mulheres grávidas e outras cansadas pela quantidade de varizes nas pernas. “Estas pessoas, geralmente, não reclamam seus direitos porque precisam dos R$ 27”, disse.

Neste momento, a mediadora Cássia Carneiro, coordenadora do Curso de Direito da Faculdade 2 de Julho, abordou uma outra questão muito presente no Carnaval - a exploração sexual e violência contra a mulher. Ela falou sobre a relevância da proteção dos direitos e da solidariedade, praticamente extintos, e passou a palavra ao Secretário Municipal da Reparação.

Ailton Ferreira manifestou sua alegria em estar na Faculdade 2 de Julho para tratar sobre um assunto tão importante e relembrou a tradição desta instituição no combate à repressão e na luta pela democracia conduzida pelo Colégio 2 de Julho.
“Não somos uma sociedade boazinha. Ao contrário, somos racistas, sexistas e homofóbicos o ano inteiro e não seria no Carnaval, este curto espaço de tempo, que mudaríamos isso. Nesta época apenas se tornam mais evidentes nossas atitudes porque fica uma sensação de que tudo é permitido”, polemizou, logo de início. Ele enfatizou o fato de alguns homens se sentirem no direito de agarrar as mulheres desacompanhadas dentro e fora dos blocos e que a recusa por parte delas pode até mesmo resultar em espancamento, fato presenciado por ele e registrado pelo Observatório.

O secretário esclareceu que nossa sociedade é construída sobre muitas desigualdades e é por isso que o negro, ao alcançar ascensão social ou profissional, é discriminado, muitas vezes, pelos próprios negros. Ele exemplificou sua afirmação com uma cena que ilustra bem esta discriminação, durante um evento, em que alguns membros do Governo, em comitiva a Salvador, passaram com os carros oficiais em frente à “Cruz Caída” causando transtornos no trânsito: “Presenciei um guardador de carros comentando com um colega – ‘Rapaz, um monte de negão naqueles carros parecendo até branco’”.

Ferreira lembrou com saudades dos tempos em que se brincava nos clubes, que eram os melhores lugares, porque o Carnaval de rua era conhecido como o espaço da vadiagem. “Como o Poder Público capitaliza tudo que o povo inventa e dá certo, ele também se apropriou da festa de rua e hoje esse é o tipo de Carnaval mais atraente para sociedade de consumo. É preciso mudar este modelo, garantindo o acesso do cidadão menos favorecido economicamente”, justificou.

O secretário afirmou que o Carnaval vem perdendo espontaneidade e a franquia continua a ser vendida mesmo depois que a festa acaba. “E o que se divulga é a imagem de trios com reis e rainhas do Carnaval, cantores brancos, foliões brancos e trabalhadores negros para servir aos turistas, em sua maioria, brancos. É preciso definir qual o lugar dos negros e negras desta cidade na indústria do Carnaval. Faz-se urgente uma discussão sobre os direitos que garantem o bem estar do cidadão baiano neste ambiente de trabalho”, concluiu.

Vários assuntos importantes – sexualidade, sensualidade, Mudança do Garcia, privatização total do Circuito – também foram discutidos e ao final a plateia pode esclarecer possíveis dúvidas e enriquecer o debate com questionamentos relevantes. Quem esteve na capela da Faculdade 2 de Julho nesta segunda–feira certamente saiu de lá com a certeza de ter presenciado um desses acontecimentos marcantes que merecem ser lembrados.